Blog do Alameda

O homem que engarrafava nuvens e outras histórias

Por Maristela Meireles

“A surpreendente história de Humberto Teixeira está encantando o público e a crítica. Uma O homem que engarrafava nuvens e outras históriassérie de matérias especiais sobre o filme O Homem que Engarrafava Nuvens foram publicadas na imprensa antes e depois da estréia, no dia 15 de janeiro. Importantes críticos de cinema e jornalistas têm sido unânimes ao ressaltar a qualidade do documentário que está cotado como ótimo e recomendado para a maioria dos jornais”. Esse é o post mais recente do blog oficial do filme. E como eu também sou jornalista, venho reforçar a opinião da classe.

Mas para quem ainda não se situou sobre quem é o homem que engarrafava nuvens, vamos começar do começo. Humberto Teixeira foi advogado, deputado e compositor de grande relevância para a MPB. Porém, sempre ficou à margem do grande sucesso. Quem todo mundo realmente conhece é o seu parceiro de muitos anos, Luiz Gonzaga. Juntos, eles compuseram grandes clássicos, entre eles, Asa Branca, uma das músicas mais famosas da MPB. Na carreira política, o “Doutor do Baião”, como também era conhecido, defendeu os direitos autorais e ajudou a divulgar a música brasileira no exterior, através da Lei Humberto Teixeira.

Felizmente, o documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” vai muito além disso. Além de contar a história de Humberto, o diretor Lírio Ferreira (“Árido Movie”, “Cartola” e “Baile Perfumado”) retrata de forma elegante a cultura nordestina e a história do Baião. É, realmente, um documentário, com banco de imagens muito rico, uma lista de entrevistados abrangente e a fotografia bem criativa. Para organizar todos esses elementos, o diretor acompanha Denise Dumonnt, filha do compositor, em uma viagem a procura da história de seu pai.

Muitos músicos dão a sua contribuição, interpretando músicas e contando sua relação com Humberto e sua obra. Essa lista vai de Belchior a Zeca Pagodinho, passando por Sivuca e Lirinha (Cordel do Fogo Encantado). Os destaques são Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, que, apesar de ter a sua participação muito comentada, apenas canta a música “Kalu” (Kalu/Kalu/ tira o verde desses oios de riba d’eu… Tem quem conheça.). Mas o interessante mesmo são os desconhecidos, com vedetes e musas inspiradoras, cantores de rua, que dão a originalidade aos depoimentos.

O homem que engarrafava nuvens e outras históriasO documentário não segue uma linha narrativa, porém, podemos dizer que ele é composto por partes bem demarcadas. O início do filme é todo dedicado ao Nordeste. Seus personagens, seus costumes e sua música são apresentados através da trajetória de Humberto e Luiz Gonzaga. Quem vai aos cinemas hoje, nem imaginava que há mais de cinco décadas atrás, o Baião foi sensação no Brasil e no mundo, angariando fãs até na Itália. Atenção especial para o moço que conserta sanfonas, o arrasta pé de Humberto e Luiz Gonzaga em uma apresentação de TV e a apresentação de Maria Betânia e Sivuca. Três belos exemplos da sensibilidade do diretor para com os depoimentos, imagens e sons.

Logo depois, o reencontro de Denise e sua mãe, Margot Bittencourt marca o divisor de águas do filme. Durante uma conversa que parece nem estar sendo gravada, Margot fala abertamente sobre a vida com Humberto, suas frustrações e os motivos da sua separação. Em seguida, o documentário conta os reflexos da obra de Humberto na MPB e a expansão do Baião para várias partes do mundo. Para terminar, Lírio Ferreira conclui todo esse apanhado de informações com falas e reflexões de Humberto Teixeira no fim da sua vida.

O mais interessante, é que Denise Dumonnt realmente vai descobrindo a verdadeira personalidade e a história de seu pai. É uma experiência quase simultânea, de pesquisador e espectador. Se você não tem programa para hoje, aproveite para ir ao cinema do Alameda, tomar um refri, comer uma pipoca quentinha e aumentar os seus conhecimentos sobre a cultura do Brasil. É um filme leve, bem produzido e executado, feito para quem sabe tudo e quem não sabe nada de Baião e Humberto Teixeira, que em Juiz de Fora você só encontra no Alameda!

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