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A Fita Branca – antigas teorias sobre a origem do nazismo

Por: Maristela Meireles

A Fita Branca – antigas teorias sobre a origem do nazismo

Definitivamente, esse não é um filme comum. É bom avisar para aqueles que só procuram clímax, histórias emocionantes, roteiro bem amarrado e efeitos especiais, que A Fita Branca pode não atende-lo totalmente. Porém, o filme venceu o último Festival de Cannes e isso não foi à toa. E nos cinemas de Juiz de Fora só o Alameda exibe o filme.  A obra é tecnicamente perfeita. O som é muito realista e a fotografia e direção de arte são impecáveis. Os planos e câmeras bem executados fazem lembrar os primeiros filmes de Ingmar Bergman (ah… o filme é em preto e branco). Ou seja, um prato cheio para quem gosta da sétima arte.

O diretor é o austríaco Michael Haneke, que tem outros filmes consagrados no currículo (“A Professora de Piano”, com Isabelle Hupert, e “Caché”, com Juliette Binoche). Nessa obra, Haneke retrata a sociedade alemã às vésperas da Primeira Guerra Mundial e, assim, tenta explicar as origens do holocausto, algumas décadas depois. Uma série de crimes misteriosos deixa em alerta os moradores de um pequeno vilarejo. Entre um crime e outro, o diretor vai do espaço público ao privado, traçando uma verdadeira anatomia moral e psicológica dos moradores do vilarejo alemão.

Na história, estão presentes personagens clássicos, como o barão, o pastor, o médico, o professor, o administrador, as crianças e os camponeses. A relação estabelecida entre os moradores, dentro e fora de casa, é colocada de forma muito sensível pelo diretor. Nesse retrato, o que fica como característica principal é uma sociedade patriarcal autoritária, marcada pela punição e a disciplina. Uma das cenas mais fortes do filme acontece quando o administrador agride o filho por ter roubado uma flauta. Impossível não se remexer na poltrona.

A tese defendida por Haneke é a de que o autoritarismo da sociedade patriarcal alemã gerou sentimentos de indiferença, crueldade e desprezo, que culminariam no nazismo. Algumas passagens do filme deixam essa relação em evidência. A principal delas é “a fita branca”, usada pelos filhos do pastor para lembrá-los da condição de pecadores, que tem correspondência direta com a estrela de David, usada pelos judeus durante o Terceiro Reich.
A Fita Branca – antigas teorias sobre a origem do nazismo

Porém, essa teoria não é nova. Desde a década de 50, sociólogos, como Theodor Adorno, já estabeleciam essa relação. Hoje, ela é questionada por muitos estudiosos na área, pela sua generalização e unilateralidade. Para quem se interessa pelo tema e gostaria de ver uma boa análise do filme, a dica é a o texto do jornalista e historiador Bruno Leal. Outra dica para quem quer entender os regimes autoritários é o filme A Onda, que trata das origens da autocracia, de forma moderna e didática (disponível para locação na Arte Vídeo – Alameda)

Mas, voltando para  A Fita Branca, a conclusão é: um filme de costumes, tecnicamente bem executado e muito enriquecedor a nível cultural e artístico. Porém, você deve estar no clima, pois é bem diferente do que vemos tipicamente nos cinemas e ainda reserva um final que deixaria muita gente indignada. Se você quer expandir seus horizontes com relação ao cinema, é uma ótima pedida ir ao cinema Alameda.

Assista ao trailler de A Fita Branca

Veja o horário deste e de outros filmes em cartaz no Espaço Alameda de Cinema

2 comentários para “A Fita Branca – antigas teorias sobre a origem do nazismo”

  • Rúbia disse:

    A Fita Branca é brutal ao estilo Haneke. Mostra com realismo a implantação da semente do Holocausto na Alemanha pós 1ª Guerra. Fotografia e trabalho visual impecáveis. Não é a toa que está concorrendo ao Oscar 2010 na categoria Melhor Fotografia (e Melhor Filme Estrangeiro).
    Infelizmente a nossa platéia consumidora de Hollywood nem sempre tem capacidade de abstrair a mensagem cultural que filmes como os de Haneke pretendem transmitir, rindo das cenas brutais de violência humana com ironia e insensibilidade.
    A falta de trilha sonora (característica do diretor) e a posição das câmeras anti-hollywoodianas não deixam, de jeito nenhum, o filme massante.
    Um filme para pensar durante dias.
    Acho maravilhoso uma cidade como Juiz de Fora ter uma “campanha”, digamos assim, de “popularização” do cinema, deixando a 7ª arte mais acessível a todos.

  • Estela Saléh da Cunha disse:

    É uma pena que tenha saido tão rapidamente de cartaz…

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